O desafio de ensinar crianças 1

                                                                                                                        Carol Read

Nos dias de hoje, com freqüência cada vez maior, espera-se que professores de adultos passem a trabalhar com turmas de crianças sem qualquer treinamento especializado. 

Para muitos, a perspectiva pode ser assustadora. 

O objetivo deste artigo é examinar alguns dos principais pontos em que os professores devem adaptar sua abordagem para ensinar crianças, primeiramente para sobreviver, mas também – espera-se – para ser bem sucedidos e apreciar a experiência!

Eu ainda me lembro claramente de um incidente ocorrido há muitos anos quando comecei a ensinar crianças. Eu tinha uma turma de 36 alunos de nove e dez anos em uma escola em que as classes eram fixadas ao chão. Recém-formada e ansiosa pra experimentar novas técnicas, eu pedi às crianças que realizassem uma atividade comunicativa que exigia que eles interagissem para trocar informações com os colegas. Embora a atividade tivesse começado bem, e as crianças estivessem motivadas, o que seria uma atividade comum com um grupo de alunos adultos se tornou um caos com o grupo de crianças. Quanto mais eu pedia que elas se sentassem, mais agitadas elas ficavam. Quanto mais eu levantava minha voz pedindo silêncio, mais barulhenta a turma ficava. Quanto mais nervosa eu me sentia,  mais agitados eles ficavam. Eu havia caído, desavisadamente, na clássica armadilha de permitir que meu comportamento como professora contribuísse para isso ao invés de resolver o problema, e me vi impondo uma ordem de emergência para acalmar as crianças e restabelecer o controle. 

A partir da lição aprendida com a experiência, desenvolvi duas máximas pessoais para ensinar crianças que têm me servido muito bem desde então: 

Agir com suavidade: 

Quando apresentamos às crianças novas técnicas e modos de trabalhar, é importante agir vagarosa e gradualmente. Apresente razões para o que está fazendo de modo que elas possam compreender. 

Não presuma que eles terão as habilidades sociais ou as atitudes que esperamos encontrar em alunos adultos. 

Manter a serenidade : 

Da mesma forma como a voz alterada e agitada do professor tende a aumentar o nível de excitação e barulho, um tom baixo e calmo se reflete no comportamento das crianças e nos auxilia a gerenciar positivamente e ensinar efetivamente a turma. 

As primeiras aulas com um novo grupo oferecem um período de “lua-de-mel” em que não só construímos uma relação positiva com as crianças, mas também temos uma oportunidade de ouro de estabelecermos uma compreensão clara de como esperamos e queremos que as coisas aconteçam. Embora os detalhes dependam da idade da criança e variem de professor para professor e de cultura para cultura, os três R's podem nos oferecer uma estrutura útil para refletirmos sobre os parâmetros que gostaríamos de estabelecer em nossas aulas. 

Eles são:regras, rotinas e responsabilidades. 

1.Regras: 

As regras, quer elas sejam estabelecidas, quer negociadas, estabelecem limites claros para as crianças. 

O ideal é ter o menor número possível de regras, torná-las explícitas, expressá-las claramente, e sempre aplicá-las de maneira justa e consistente. 

2.Rotinas: 

As rotinas estabelecem padrões de comportamento usual e esperado que auxiliam as crianças a se sentirem seguras. 

Uma vez estabelecidas, elas oferecem um atalho conveniente para longas explicações. 

As rotinas podem incluir procedimentos como sentar no chão em um semi-círculo para a hora do conto, começar as aulas com aquecimento físico, interromper as atividades a um determinado sinal, distribuir materiais ou organizar a sala. 

3.Responsabilidades: 

As responsabilidades podem ser negociadas, tais como rodízios para atividades como a distribuição de materiais e a limpeza do quadro. 

Elas também podem incluir a construção de atividades a ser realizadas autonomamente pelas crianças, tais como lembrar de trazer seus livros e temas de casa, compartilhar materiais com outras crianças, falar a língua estrangeira em pares e grupos, esperar pela vez em jogos e ouvir quando outra criança está falando.

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