Sentir

                                                                                                                  Frederick  Leboyer

Sentir... 
Para o nariz, sentir é perceber o mundo mais adiante do que a mão pode alcançar. 
Ouvir é explorar mais longe ainda. 
E ver, ah! ver... é acariciar com os olhos o universo milhares de quilômetros ao redor. Cada sentido fala do mundo para nós. Seu mundo. E a harmonia se faz.

Cada sentido afasta um pouco mais além as fronteiras, tornando mais vasto, mais variado e mais rico o universo. Apalpar, porém, é por aí que tudo, de modo muito simples, começou.A língua. que sabe tantas coisas, lembra-se disso: "É comovente...  De fato, amigo, estou comovido, muito comovido por sua atenção..." 

Nos bebês, a pele transcende a tudo. É ela o primeiro sentido. É ela que sabe. 

Como ela se inflama com facilidade em todas as criancinhas! Erupções, eritemas, pústulas... Micróbios? Infecção? 
Não, Não. 
Mal-apanhadas. Mal-acabadas. Mal cuidadas. 
Mal conduzidas. 
Mal-amadas. 
Ah, sim, é preciso dar atenção a esta pele, nutri-la. Com amor. Mas não com cremes.
Ser levados, embalados, acariciados, pegos, massageados constitui para os bebês, alimentos tão indispensáveis, senão mais, do que vitaminas, sais minerais e proteínas. Se for privada disso tudo e do cheiro, do calor e da voz que ela conhece bem, mesmo cheia de leite, a criança vai-se deixar morrer de fome. 

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mirna