Massagem nos bebês 16

                                                                                                                 Frederick  Leboyer

As primeiras semanas que se seguem ao nascimento são como a travessia de um deserto. 

Deserto povoado de monstros: as novas sensações que, brotadas do interior, ameaçam o corpo da criança. 

Depois do calor no seio materno, depois do terrível estrangulamento do nascimento, a enregelada solidão do berço. 

A seguir, aparece uma fera, a fome, que morde o bebê nas entranhas. 

O que enlouquece a pobre criança não é a crueldade da ferida. É essa novidade: a morte do mundo que a rodeia e que empresta ao monstro exageradas proporções. 

Como acalmar essa angústia? 

Nutrir a criança? 

Sim. 

Mas não só com o leite. 

É preciso pegá-la no colo. 

É preciso acariciá-la, embalá-la.

E massageá-la. 

É necessário conversar com a sua pele, falar com suas costas que têm sede e fome, como sua barriga. 

Nos países que preservaram o profundo sentido das coisas, as mulheres ainda se recordam disso tudo.

Aprenderam com suas mães e ensinarão às filhas essa arte profunda, simples e muito antiga que ajuda a criança a aceitar o mundo e a sorrir para a vida. 

F.L.

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